Fernando & Luís.

Era como se impulsionasse novamente seus instintos de fazer o que não devia ser feito. Era errado gostar, e sabia que os governantes lutavam para que ele não controlasse os desejos encravados em sua mente. Uma falta de discernimento em suas emoções o ajudara a compreender o que ele realmente queria.
Queria amar alguém que não sabia se podia amar pelo que ele era. O moço apertou forte os próprios cabelos no escuro, encolhido em seu sofá, e sussurrou baixinho aquela pergunta que perturbava-o ao ver suas irmãs. "Por que eu não nasci diferente como elas?" Sem saber que era diferente dos demais homens que o rodeavam. Precisava era do carinho que nunca lhe fora proporcionado. Precisava de um cafuné dele.
E se dissesse que amava quem não podia ser amado, seria uma tragédia. E esse sofrimento em sua alma continuava ao sentir que seu amado era normal. Normal. Uma palavra contextualizada pela sociedade preconceituosa para acabar com todos aqueles que ousassem inovar algo tão banalizado como o amor. Não era fácil esconder sentimentos que outros não sentiam. O que precisava fazer era liberá-los.
“Levanta da cama, homem, que quero provar que tu és o que quiseres ser!” Sua alma gritava para que ele não desistisse de seu amor. E ele desistiu e não se levantou daquela escuridão. Não queria ser conhecido como o homem que amava outro homem.
Só precisava de um tempo para despertar daquele pensamento contínuo de tentar ser o que outros eram. Ou pelo menos fingir. “Arranje uma namorada e esqueça! É impossível que ele concorde com o fato de ser amado pelo que você é!” disse sua mente. Opositora à alma.
“Não vou arranjar namorada nenhuma! Vou lá e acabar com minha agonia! Luís, eu sou apaixonado por você.” “Como assim, Fernando?” “É isso mesmo que você ouviu! Eu te amo! E sei que você não pode corresponder esse amor!” “É. Realmente não posso.” E continuava a imaginar toda aquela frustrante declaração que então iria fazer assim que Luís atendesse a campainha. E certamente atendeu. E não havia ninguém na porta. Tinha sim um covarde chamado Fernando que acabava de fugir pela escada do prédio. “É melhor deixar como está. Se me declarar para ele, tenho o risco de ser odiado. Melhor deixar o odiado como adiado. E não haverá dor em ambas as partes. Só na minha.”


5 Comments:
bom texto.
Seu segundo texto sobre o assunto que eu leio. hohoho
se quer abordar homossexualismo X sociedade preconceituosa, tá faltando um texto de amor lésbico, hein.
Abraços.
Recado para "Fernando": Se tem uma coisa que me irrita é gente que não tem coragem de se assumir.
de repente é dessa dor que surge uma vida intensa, cheia de surpresas maravilhosas. de repente a dor pode parir um mundo e a gente continua tendo força de viver nesse novo mundo que a gente constrói. de repente, n ão mais que de repente.
“É melhor deixar como está. Se me declarar para ele, tenho o risco de ser odiado. Melhor deixar o odiado como adiado. E não haverá dor em ambas as partes. Só na minha.”
Discordo completamente.
corre o risco de ser odiado mas tb corre o 'risco' de ser AMADO.
Diz isso pro Fernando!
Beijos
PS:
E sendo amado naum ha dor em ambas ar partes! A naum ser q ele qeira fabrica-la... xP
Toda forma de amor vale a pena. O Fernando ainda vai encontrar o seu caminho, o Luís vai ter que esperar um pouco. Quem sabe um dia eles ainda não se encontrem?
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